“Análises” do trio de ferro

Os “emocionantes” estaduais já estão em andamento. Muito pode mudar ao longo do ano (estamos apenas em Janeiro), mas com duas rodadas disputadas já temos alguns pontos que podem ser citados.

– O São Paulo não tem substitutos para Hernanes e Pratto. Nenhum gol marcado, um ponto e um time com elenco enfraquecido se comparado com o time de 2017;

– O apoio incondicional da torcida ficou na temporada passada. Protestos no sábado antes do jogo e pressão por novos jogadores mostram que Raí e Ricardo Rocha não foram suficientes para blindar o elenco e diretoria;

– Dorival pode começar a próxima semana pressionado dependendo do resultado no clássico do próximo fim de semana contra o Corinthians;

– Juninho Capixaba deixa boa impressão nesse início e dá mostras que pode ser bom substituto para Arana;

– A mudança tática aparenta dar qualidade ofensiva ao Corinthians, mas deixa impressão de uma defesa mais
exposta (Gabriel sendo mais exigido, Capixaba com necessidade de melhorar sua postura na marcação e falta de um segundo volante no meio). Ponto que pode ser explorado pelos adversários nos jogos grandes;

– Um “9” será contratado para assumir a titularidade (Junior Dutra pode ser uma boa opção de elenco e Kazim não tem qualidade para ser utilizado com frequência);

– Antônio Carlos começa o ano sendo um jogador que pode ser útil na zaga alviverde, mas acredito que o Palmeiras esteja firme na busca por um nome mais experiente para a temporada;

– Lucas Lima parece ter encaixado no esquema de Roger Machado. Não parece jogador que acabou de chegar no elenco. Se o meia conseguir ter a regularidade da sua melhor fase pelo Santos, pode ser importante para o Palmeiras neste ano e talvez até sonhar com uma vaga na seleção de Tite;

– Do meio para frente, o elenco do Palmeiras promete uma disputa acirrada. Quem vacilar perde sua vaga. A fartura de opções deixa Roger com uma missão complicada, que será motivar essa “briga” por posição e evitar a guerra de egos.

Paulistão – Qual será o primeiro treinador a ter seu trabalho questionado?

Hoje começa o “emocionante” campeonato Paulista. cada vez mais esvaziado, mas pelo menos dessa vez pelo menos a federação fez uma pequena mudança no regulamento, com a possibilidade de inscrição de jogadores da base numa lista adicional.

Tirando isso, teremos o mesmo campeonato arrastado de todos os anos, com emoção apenas nos clássicos e na fase decisiva. A conquista do título pode até mudar o fim da temporada, vide o que aconteceu com o Corinthians na temporada passada. Pergunte a um torcedor dos outros grandes paulistas se ele não gostaria de ter ganho pelo menos o título estadual. Para os corinthianos, foram dois títulos na temporada passada, motivo de celebração.

O grande problema da competição é ela ter um peso maior do que deveria. Ilude com uma campanha que pode dar a impressão do time ser melhor do que realmente é. Do outro lado, prejudica um inicio de trabalho, algo que neste ano pode impactar qualquer um dos treinadores dos times grandes, que podem ter seu trabalho terminado de forma precoce.

Esse “medo” vale para os quatro treinadores. Uma sequencia de resultados negativos, principalmente quando começarem as demais competições (Copa do Brasil e Libertadores) pode ser mais que motivador para demissão precipitada.

Dois treinadores mantendo o trabalho do ano passado que teoricamente teriam segurança e dois novos treinadores que iniciam a temporada e teoricamente deveriam ter tempo para implementar seus esquemas de jogo. Infelizmente no Brasil o resultado no campo são os responsáveis pela manutenção ou não de técnicos, com raras exceções.

Carille sabe que para este ano a pressão será maior, mesmo com um time enfraquecido, se comparado ao time da temporada passada. A torcida vai cobrar que o time lute por títulos neste ano. Para ajudar ainda existe a indefinição do patrocinador principal e a indefinição sobre a situação política, em relação a quem irá assumir a presidência, que impacta em reforços.

Dorival sofre problema parecido. Depois de ter livrado o time do rebaixamento, dificilmente terá respaldo da torcida e diretoria, mesmo com o time perdendo jogadores vitais da temporada passada (Lucas Pratto e Hernanes). O medo no tricolor é ter um começo de temporada ruim e sofrer novamente com o rebaixamento no Brasileiro. Diego Souza não parece ser o nome ideal para ser a referência técnica deste time.

Roger é um dos mais pressionados neste começo de temporada. A falta de resultados consistentes nos times anteriores vem acompanhado do peso de assumir um time com poder de compra e com um elenco no papel favorito a todos os títulos deste ano. Repete o que aconteceu com Eduardo Baptista no ano passado e se o treinador não conseguir que o time dê liga e domar a provável guerra de egos de quem não estiver no time titular, deve ter vida curta.

Já Jair Ventura chega ao Santos cercado de indecisão. A ótima campanha do Botafogo na Libertadores foi impactada pela queda de desempenho no Brasileirão, que culminou com a não classificação para a competição sul-americana em 2018. A situação se agrava com a situação ruim das finanças do time da Vila Belmiro, que perdeu Lucas Lima, Zeca e Ricardo Oliveira e começa a competição sem reposições de qualidade, isso para um time que terá o foco na Libertadores.

Meu palpite é que um dos 4 treinadores termina o Paulistão pressionado. Arrisco dizer até que um deles será demitido ainda no estadual.

Nem o Real escapa da crise

Técnico questionado por não mexer no time, torcida vaiando um dos jogadores que está no elenco há muito tempo e o craque em má fase. Roteiro que já foi vivido por todos os clubes grandes em algum momento, mas de forma surpreendente este é o cenário do poderoso Real Madrid.

Depois de mais uma derrota (em casa para o Villareal) o time praticamente deu adeus ao título espanhol e se a Champions era a prioridade, agora se torna a única opção para time de Madrid. Marcelo que possui anos de titularidade absoluta começa a ser questionado, tanto que no fim de semana chegou a receber vaias impensáveis até o ano passado por parte da torcida. Cristiano Ronaldo não consegue deslanchar na competição. Isso sem contar outros jogadores em má fase, como o centroavante Benzema.

Zidane sofre a pressão por não conseguir mudar a forma do time jogar. O time continua extremamente ofensivo e criando chances de gol, mas vem esbarrando no azar / falta de eficiência para colocar a bola no gol. Ao passo que a defesa sofre por estar exposta. Zidane hoje se vê numa sinuca de bico. Mudar o time e arriscar mexer numa estrutura estabelecida prestes a um duelo complicado frente o PSG de Neymar ou manter o esquema e sofrer com a pressão nos próximos jogos pelo campeonato Espanhol?

Dinheiro para contratações sabemos que o time tem em caixa. Mas qual seria o grande nome para chegar e mudar o time (ao meu ver, precisaria investir em um zagueiro que chegasse para ser titular e um lateral-direito). Lembrando que precisaria ser alguém que pudesse jogar a Champions.

E se o duelo entre CR7 e Neymar já tinha sua importância, agora ganha contornos ainda maiores. Uma possível (e hoje já não mais tão improvável) eliminação espanhola pode causar mudanças consideráveis no atual elenco, com chegadas e principalmente saídas. Até mesmo Cristiano Ronaldo poderia ser seduzido por uma possível mudança de ares.

Caso Rueda fecha a porta para os técnicos estrangeiros no Brasil?

Nesta segunda o que já era esperado foi confirmado, com a saída de Rueda do Flamengo, aceitando o convite para treinar a seleção chilena. O assunto gerou uma repercussão em toda mídia esportiva. A torcida usou as redes sociais para demonstrar toda sua insatisfação e muitos jornalistas também tiveram um grau parecido de insatisfação, talvez demonstrando um pouco de parcialidade ou talvez querendo fazer média com uma das maiores torcidas do Brasil.

Rueda é um dos melhores técnicos sul-americanos em atividade. Não foi por acaso conquistou uma Libertadores pelo Atlético Nacional da Colômbia, foi sondado pelo Corinthians no começo do ano passado e assumiu o Flamengo cercado de muita expectativa. Infelizmente no Brasil existe a cobrança imediata. Mesmo chegando com o elenco fechado, ele terminou a temporada com seu trabalho questionado por não ter conquistado os títulos da Copa do Brasil e da Sul-Americana (com dois vice-campeonatos).

O ideal era que ele tivesse segurança para montar o elenco da temporada, usando o estadual para testar jogadores e esquema tático para a disputas importantes do ano (Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão). Mas sabemos que isso não seria realidade para o técnico, que seria demitido na primeira sequencia de resultados negativos. O grande problema foi a forma como esta situação foi conduzida pelo técnico.

A medida que as notícias a respeito do interesse chileno apareciam, a falta de um comunicado oficial do técnico dava espaços para incertezas e boatos diversos. Algo que seria resolvido facilmente com um comunicado ou declaração de Rueda para qualquer jornalista ou em rede social. A cada dia as notícias ficaram ainda mais sérias, dando como certa o “sim” do treinador.

Duvido que a decisão tenha sido feita ontem pelo técnico. Como também duvido que os dirigentes do Flamengo tenham ficado sem notícias do treinador durante todo o período de recesso de fim de ano. Isso explica o fato do time carioca ter anunciado Carpergiani logo após a confirmação da saída de Rueda.

O planejamento da temporada rubro negra ficou prejudicado pela indecisão e vejo muito mais “culpados” do que vítimas nesta história. Acredito que pensando na estabilidade do trabalho, o treinador escolheu a melhor opção. Terá tempo para se focar na classificação para a Copa do Mundo de 2022.

O problema é que a saída do técnico traz de volta a discussão sobre a validade de trazermos técnicos estrangeiros para trabalhar no Brasil, ao invés de discutirmos sobre a falta de tempo para que os treinadores em geral possam trabalhar. E também deveríamos estar discutindo o fato que treinadores sul-americanos são sondados para treinar as seleções dos países vizinhos, ao passo que nenhum brasileiro é sequer sondado.

Infelizmente, a curta passagem do colombiano deve fazer com que futuras propostas sejam vistas com restrições para qualquer técnico estrangeiro e ao invés de aprender, iremos continuar um degrau abaixo, sem entender porque os outros países conseguem ter mais sucesso na Europa em seleções do que o nosso “produto nacional”.

Indefinições tricolores

Os principais tricolores do país começam o ano com incertezas e preocupações para a temporada de 2018. Indefinições sobre os principais nomes atrapalham o planejamento do ano.

O Grêmio conseguiu renovar o contrato de Renato Gaúcho, viu Barrios , Edílson e Fernandinho saírem (nomes que em um primeiro momento não impactam, mesmo sendo três titulares). A situação gremista pode mudar nesta janela. Geromel, Luan e Artur tiveram grande destaque no ano passado e possuem potencial para jogar no futebol europeu (o volante tem sem nome ventilado no Barcelona). Estas seriam saídas que fariam o time perder qualidade, obrigaria a direção a gastar com reforços para remontar o elenco, além da perda entrosamento conquistado no ano passado. Mas hoje (04/01) vejo o time do Grêmio com qualidade para lutar por mais uma Libertadores).

O São Paulo começa o ano com nomes importantes fora de campo (Rai e Ricardo Rocha) depois de mais uma temporada ruim, novamente fugindo do rebaixamento. A torcida têm razões de sobra para estar preocupada. Sente a ausência de títulos, mas hoje tem o receio de mais uma vez ter o time longe do protagonismo de outrora. A contratação de Jean mostra a insegurança no gol, principalmente pelas diversas mudanças no ano passado (com Sidão, Dênis e Renan Ribeiro). Fora isso existe o receio da saída de Hernanes, vital para a fuga do rebaixamento, mas que pode ter sua volta antecipada pelo seu time na China e a indecisão sobre a permanência de Pratto (River da Argentina devendo apresentar proposta até o fim da semana para compra do mesmo). O time paulista precisa definir seu elenco neste começo de temporada. Passar outro ano com vendas financeiramente boas, mas desmanchando o elenco ao longo do ano devem fazer com que novamente esteja longe de assumir candidatura séria à títulos.

Já no Rio de Janeiro a preocupação é ainda maior. O Fluminense também flertou com o rebaixamento e começa 2018 com serissimos problemas financeiros, colocando no mercado nomes importantes como Cavalieri e Henrique, devendo sofrer assédio pelas jóias da base e com Gustavo Scarpa praticamente fora do clube, forçando sua ida , com seu nome sendo vinculado aos três grandes da capital paulista. Infelizmente este prejuízo financeiro deve impactar o ano nas Laranjeiras e obrigar Abel a montar um time com limitações pensando em um primeiro momento em continuar na série A. Pouco para um time com a grandeza do Flu, mas condizente com a situação caótica pela qual o time carioca passa.

Expectativas ruins para 2018

O intervalo entre o fim e início de temporada sempre foi um prato cheio para as especulações em relação às mudanças nos elencos dos clubes brasileiros. Quem sai? Quem fica? Quem pode vir? Os jornais e programas esportivos tinham um cardápio vasto para abordar.

Mas este último intervalo foi pobre. Igual às finanças de muitos times por aqui. Poucas saídas (mas levando em conta que a janela para o exterior acabou de abrir), o que mais me surpreende é a diminuição que tivemos em relação tanto a contratações como as especulações. Poucos reforços contratados e uma queda até nas especulações de jogadores que poderiam reforçar os times. Nenhum jogador de peso nem mesmo para “vender manchete”. O foco foi em nomes de veteranos e temos apenas indecisões sobre o técnico Rueda, uma possível volta de Adriano (o “Imperador”) e o nome de maior “cotação” no mercado é Gustavo Scarpa, um meia de qualidade, mas que em outras temporadas seria “apenas” um nome bom para reforçar o elenco, sem o status de contratação de peso que hoje ele possui pela falta de opções no mercado.

Preocupa o que pode esperar para este ano, principalmente ao pensar que nesta temporada teremos o menor tempo de pré-temporada por conta dos estaduais e levando em conta também a quantidade de competições que alguns clubes irão disputar com datas próximas que com certeza vão prejudicar quem não conseguir ter um elenco equilibrado. E neste ano a Copa do Mundo nem deve ser considerada como um fator de impacto. Basta pensar que poucos clubes no Brasil hoje possuem jogadores que são cotados para a Copa na Rússia.

O foco natural recai para os times que vão disputar a Libertadores, por mais que a Copa do Brasil deste ano tenha um atrativo financeiro importante pelo aumento da premiação. Acho difícil que o Corinthians repita a campanha surpreendente do ano passado, salvo alguma loucura financeira caso Andrés assuma a presidência e invista em reforços para um time forte que force Carille a apostar em uma das competições. Mesmo com aporte financeiro , duvido que o alvinegro paulista consiga ter um elenco para disputar mais de uma competição em alto nível. Situação parecida com a do Santos, que sofre com problemas financeiros, tendo inclusive passado por dificuldades para fechar a rescisão do contrato de Jair Ventura. Com estas indefinições e com um elenco que sofreu desfalques, acho que o ex-técnico do Botafogo deverá ter trabalho. Caso não apareça nenhuma nova joia na Vila Belmiro, os torcedores santistas podem esperar um ano complicado principalmente por conta da saída de jogadores importantes, como Ricardo Oliveira, Lucas Lima e Zeca. Os nomes cotados para o ataque não me parecem suficientes para colocar o time em outro patamar (Barcos, Robinho e Gabigol).

Palmeiras , Cruzeiro e Flamengo, de formas distintas, são os clubes que merecem ser acompanhados com atenção, cada um a sua forma. Roger chega no Palmeiras pressionado, precisando mostrar trabalho em um time que investiu pesado no ano passado e que nesta temporada investiu pontualmente , com um valor menor, mas que ainda o destaca como time com potencial para contratações. Não ter conquistas em 2018 será motivo de pressão, tanto interna como externa. Torcida e Crefisa não devem aceitar mais uma temporada sem nenhuma conquista. Arrisco dizer que nem mesmo um possível estadual seja suficiente. A torcida deverá pressionar por sucesso na Libertadores ou uma das competições nacionais (Brasileiro ou Copa do Brasil). O Flamengo começa a temporada com a indecisão sobre Rueda, que ao que parece deve realmente sair e ir para a seleção chilena. Esta situação atrapalha em termos de reforços, principalmente no ataque, onde a suspensão de Guerrero deixa a direção em dúvida se aposta em Vizeu como “homem gol” para a temporada ou se procura algum centroavante no mercado. Independente do técnico, é outro clube de peso que será pressionado para conquistar título neste ano. E também será “exigido” para ter sucesso na Libertadores ou em uma das competições nacionais.

Por conta disso e pelos reforços pontuais contratados, acredito que o Cruzeiro seja o time que pelo menos no papel me parece mais preparado para conquistas neste ano. Ter mantido Mano Menezes e seu elenco podem ser diferenciais importantes para o time, mesmo que a contratação de Fred possa ser arriscada e mudar a forma do time jogar. Mas mantendo os seus principais nomes do elenco, me parece difícil não apostar as fichas para que o Cruzeiro entre como favorito nas competições deste ano. Ótimo para a torcida celeste e péssimo para os rivais atleticanos.

Quando o futebol nacional voltará a ser respeitado?

A aposentadoria de Kaká é significativa para evidenciar o abismo que hoje vivemos no cenário nacional. Já se passaram 10 anos que tivemos o agora ex-jogador eleito o melhor do mundo depois de liderar o Milan ao título da Champions League. Depois disso apenas assistimos ao domínio Messi / Cristiano Ronaldo e mais algum terceiro colocado, sem ninguém que se destacasse de fato.

E aí notamos algo. Parece que o simples fato de pisar em terra estrangeira já e suficiente para que os jogadores mudem sua mentalidade. Lá fora existe a preocupação em envolver os jogadores na partida como um todo. Mostrar a importância da parte técnica / física / tática, a importância do grupo e não do indivíduo. Não é por acaso que a maioria dos jogadores entendem mudanças táticas, entendem a necessidade de adaptações que podem levar bons jogadores a passagens pelo banco de reservas. Kaká foi para o Milan como uma promessa, mas o treinador Carlo Ancelotti viu no brasileiro potencial e barrou um empréstimo do meia que não tardou a assumir a titularidade de um melhores elencos que o time milanês teve em sua história.

Neymar parecia ter o que era preciso para voltar a colocar o Brasil em evidência quando chegou ao Barcelona e pareceu entender e compreender que precisava conquistar sei espaço aos poucos no time espanhol. Podia se aperfeiçoar e se destacar sem ter a obrigação de ser “o cara” do time (responsabilidade de Messi). Não por acaso, vimos jovem brasileiro ter destaque em jogos importantes, formando um tridente sul-americano de peso (com Suárez sendo importantíssimo). Mas a pressa e/ou falta de maturidade do brasileiro fez com que ele optasse por buscar novos ares no PSG ao invés de esperar sua vez chegar naturalmente no Barcelona. Hoje o atacante já sofre com problemas no time francês e já tivemos até especulações sobre sua saída.

Hoje acredito que nosso foco deva ser em cima de Gabriel Jesus. Tecnicamente talvez um pouco abaixo de Neymar, mas um atacante que teve no Palmeiras um inicio sem pular etapas, com a subida para o time titular sem pressa, chegando ao Manchester City com moral e com respaldo de Guardiola e hoje é titular no time inglês com méritos. Com o atual técnico e com o trabalho de Tite, arrisco que podemos ter no ex-ataque alviverde o nome de destaque mundial na Copa do Mundo do ano que vem, desbancando até Neymar. Aposta arriscada, eu sei, mas não posso ficar em cima do muro.

Real vence o Mundial e aumenta o abismo entre futebol europeu x futebol sul-americano

De um lado um time querendo fazer história. Buscando uma conquista que a cada ano se torna cada vez mais improvável pela diferença técnica evidente entre Europa x América do Sul. Do outro lado um time europeu “cumprindo tabela” para um jogo visto por eles quase como um amistoso de luxo. Ninguém gosta de perder, mas a conquista deste título não é comemorada pelos jogadores e torcedores europeus.

O Real fez suficiente para ganhar a partida frente o Grêmio. Um placar de 1 x 0 que chega a ser mentiroso ao analisar o jogo. O time de Madrid teve diversos jogadores com atuações abaixo da média. Na primeira etapa os goleiros foram meros coadjuvantes em campo. No segundo tempo, bastou alguns jogadores como Modric e Cristiano Ronaldo melhorarem um pouco para a partida ficar em sua normalidade. Uma cobrança de falta onde a barreira abriu foi responsável pelo gol solitário do Real, marcado por CR7.

Grohe evitou que o placar fosse ampliado, com pelo menos 4 defesas complicadas, ao passo que Navas continuou assistindo o jogo de uma posição privilegiada. Quem ficou sabendo apenas o placar final pode achar que o jogo foi equilibrado e por pouco o time brasileiro não conseguiu melhor sorte no jogo. Mas o fato é que o Grêmio ofereceu menos perigo do que o Al Jazira (no jogo onde Romarinho fez um gol histórico pelo time árabe). O time brasileiro tinha que jogar de igual para igual? Claro que não. Mas poderia pelo menos ter tentado jogar. Uma finalização a gol (em cobrança de falta) foi muito pouco para ao menos tentar um milagre. Basta pegar o histórico das conquistas sul-americanas. O título foi conseguido em jogos de ataque contra defesa onde os goleiros fizeram milagres e o placar aberto em lance quase de sorte.

A audiência não foi das maiores e o torneio não “pegou” na Europa. Tanto que existe uma corrente forte para mudança na fórmula de disputa envolvendo mais europeus e desta forma tendo duelos um pouco mais equilibrados. Da forma como a competição está sendo disputada, um título na América do Sul continuará sendo algo raro. Para equilibrar um pouco a curto prazo, seria mais fácil termos as seleções da América do Sul (Brasil, Argentina) contra os gigantes europeus. Talvez assim os duelos fossem mais equilibrados.

PSG x Real Madrid. Um duelo de peso que promete parar o mundo

O sorteio das oitavas da Champions League costuma trazer algumas surpresas e duelos complicados. E sem sombra de dúvidas o confronto mais esperado será entre o Real de Cristiano Ronaldo x Paris de Neymar. Do lado espanhol um time estrelado, com um grande técnico e um craque mais que consolidado como um dos melhores do mundo. Do outro, um time francês com sinais de problemas interno, com um técnico que balança no cargo e um jogador que saiu da Espanha em busca de sua afirmação como craque.

Duvido que algum dos times sonhasse com um sorteio deste peso nesta fase do campeonato. É um duelo que seria facilmente uma final de competição, mas que nos brindará com duas boas partidas logo depois da fase de grupos que devem ter a atenção da mídia e de quem gosta de futebol por todo o mundo. Como temos um certo tempo até estas partidas, não analiso o técnico atual do Paris, que pode nem chegar a participar deste duelo.

O foco nesta partida estará nas duas estrelas. Por mais que ambos tenham companheiros de qualidade em seus clubes, é um típico duelo onde se espera que o craque do time coloque a bola embaixo do braço e decida a classificação. No lado espanhol temos um time com elenco equilibrado e já calejado para dar apoio ao CR7. que pode tranquilidade para jogar e fazer seu trabalho. Algo que não se aplica ao brasileiro.

Sofre logo na primeira temporada pelo time francês com problemas de relacionamento no elenco e longe de ser decisivo nas partidas onde se esperava que ele assumisse o protagonismo. Tal fato só servirá para pressionar ainda mais o atacante. Em compensação é uma chance de ouro para que Neymar tenha uma atuação em alto nível frente um adversário de nível mundial. Uma atuação memorável deixa de lado ou pelo menos ameniza as críticas pelas quais o jogador passa.

Comparando os dois times e a fase dos grandes destaques, não tenho como ficar em cima do muro. E afirmo que o Real é favorito em um duelo complicado e devemos ter Cristiano Ronaldo mantendo o time firme na luta pelo título e o Paris novamente tropeçando na maior competição entre clubes, mostrando que apenas dinheiro não é suficiente para formar um time vencedor.

Argentinos jogando mais que os brasileiros. Passou da hora de assumir (e mudar isso)

Durante muitos era um consenso que para ganhar uma competição sul-americana, nós (brasileiros) teríamos que superar os rivais na bola e na raça. Principalmente para superar a catimba e “manha” dos adversários. Isso era uma realidade na última década. Tecnicamente nossos jogadores eram nitidamente melhores, se destacavam na América Latina. Estrangeiros latinos jogando por aqui? Nada de veteranos ou apostas de qualidade discutível . Não tínhamos condições de trazer os craques consagrados, mas várias vezes atraíamos promessas ou jogadores com perfil / qualidade para atuar em grandes times europeus.

Aos poucos este cenário foi mudando. Com exceção de jovens promessas , vemos nossos jogadores perdendo espaço para jogadores de países vizinhos, como Argentina, Uruguai e Chile. Deixamos de ser um centro formador. Deixamos de nos destacar. Hoje os times enxergam qualidade em jogadores mais novos do Brasil e sabem que estão contratando jogadores que precisam ser lapidados. Casemiro é um dos maiores exemplos disso. Saiu pela porta dos fundos no São Paulo e hoje é um dos melhores jogadores do Real Madrid. Só que acompanham o jogador durante muito tempo e fazem apostas mais restritas. Deixamos de ter a quantidade absurda de jogadores atuando nos grandes centros europeus.

E nesta temporada tivemos alguns bons exemplos que mostram que precisamos reconhecer a inferioridade momentânea e trabalhar em cima disso. O último exemplo que vimos foi na final da Copa Sul Americana. O Flamengo se preparou para guerra no primeiro jogo e foi surpreendido ao encarar um Independiente que se focou em jogar bola e com qualidade. Um time bem treinado e com qualidade na troca de passes, que não se preocupou ou se desesperou, mesmo saindo atrás no placar.

A virada veio sem sustos e de forma merecida. E o placar de 2 x 1 ficou barato para o time brasileiro, que poderia ter sofrido uma derrota por um placar ainda mais elástico, que complicaria muito o jogo de volta. Claro que o time carioca pode reverter o placar no jogo de volta e sair com o título da competição. Mas o fato é que tecnicamente e taticamente estamos em patamar abaixo dos hermanos. O Grêmio foi a rara exceção nesta temporada, mas temos que lembrar que o título da Libertadores veio com sustos, principalmente nos jogos em casa contra o Barcelona do Equador e o argentino Lanús.

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