Arquivo de Setembro de 2006

CIÚME, A ERVA DANINHA NA ARBITRAGEM

Valter Ferreira Mariano em 29 de Setembro de 2006 @ 09:14

O ciúme é um sentimento letal. Aos poucos ele se apodera e torna escravo aquele que a insegurança permitiu crescer.

Infelizmente o ciúme é um sentimento vivo dentro do universo da arbitragem. O árbitro vê o árbitro como adversário. Demonstra sua insegurança ao tomar conhecimento da escala, querendo pra si o jogo do companheiro ao invês de desejar boa sorte.

O ciúme está intimamente relacionado à inveja. A diferença é que a inveja não envolve o sentimento de perda. O ciúme é um desconforto e raiva e atormenta aquele que cobiça algo que outra pessoa tem. O ciúme esmaga a auto-estima e se torna em uma verdadeira erva daninha.

O árbitro deve evitar ser contaminado por esta “erva daninha”. O treinamento físico, o estudo e o espírito das regras, bem como o companheirismo, amizade e lealdade, forjados no seio familiar, formarão a vacina da imunidade contra esta praga.

O árbitro imune tem o respeito e admiração da classe. O árbitro imune ocupa seu tempo livre em pról da arbitragem. Este tempo livre é aquele da viagem longa, onde a equipe de arbitragem segue junta no mesmo carro, ônibus ou avião, tempo para o intercâmbio de informação. Tempo para o plano de trabalho a ser utilizado na partida. Tempo para se conhecerem melhor. Tempo da arbitragem de futebol.

O ciúme é venenoso. Ele atinge os arbitros inseguros. Os árbitros que abrem os ouvidos aos fofoqueiros, a famosa “rádio peão” , as intrigas, aos invejosos e principalmente aos derrotados, pois estes são os árbitros que se vestem de cordeiros e na verdade são lobos famintos, que se utilizam das oportunidades para se darem bem.

Somente a vacina não garante total imunidade. Que será obtida atravês da maturidade e o amor. Assim esta erva daninha será banida do universo da arbitragem.

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A CRIANÇA E O ÁRBITRO DE FUTEBOL

Valter Ferreira Mariano em 26 de Setembro de 2006 @ 12:05

O futebol é o principal esporte praticado em todo mundo. A criança quando nasce, sendo menino, certamente receberá uma bola de presente. Esta o acompanhará para sempre, em casa, na escola, no campinho de terra batida, no clube, em qualquer outro lugar onde possa chutá-la.

A criança praticará o futebol sem nenhuma obrigatoriedade, este nível vai aproximadamente até, no que diz respeito à prática das regras. Neste primeiro estágio ela não dá qualquer atenção ou valor à necessidade das regras, o que importa é chutar a bola.

Um segundo estágio se inicia quando a criança começa a praticar o futebol no sentido de equipe. Observando que não está mais só dentro de um espaço e que algo novo deve ser respeitado, as regras. Este ponto é claramente visto quando a criança demonstra sua competência para criar sua própria regra, se adaptando ao momento que obriga esta mudança, por exemplo: um menor número de jogadores (regra 03) ou até mesmo colocando como traves ou metas (regra 01) duas latinhas de refrigerante.

Logo podemos visualizar a chegada do terceiro estágio na vida futebolistica da criança, onde sua consciência do caráter arbitrário passa para a necessidade de uma cooperação mútua entre os competidores, resultando na obrigatoriedade de respeitar as regras do jogo.

Como jogador, a criança passa ver um novo personagem, o árbitro de futebol. Para ela este homem de preto representa a lei, sem ele não há jogo, nele será depositado toda a confiança e respeito. O árbitro será visto como indispensável, infalível e incorruptível. Neste estágio a função do árbitro será de um educador, transmitindo as crianças todo seu conhecimento e desenvolvimento da noção das regras do jogo de futebol.

Também neste estágio o árbitro terá sua melhor escola de aprendizagem para ser um árbitro respeitado. Ele passará por um verdadeiro vestibular ou seja, passará pelo crivo dos pais. Emoção e o coração estarão sempre a frente de qualquer crítica feita por um pai a um árbitro.

O árbitro ainda terá como principal função passar a criança o respeito ao fair play (jogo limpo). Impedir a violência . Exigir que nenhum adversário seja humilhado ou abusado por razões raciais, étnicas ou religiosas. E que o futebol faz amigos.

As crianças mais velhas, em seu último estágio, admitem que o árbitro pode equivocar-se e que suas decisões podem ser discutidas. Passando não ser o senhor único da verdade. Porém sabem que sua decisão no momento da partida deve ser amplamente respeitada e aceita.

Infelizmente para o futebol, a criança vê no pais a principal figura relacionada com a verdade, e sendo assim, quando ela observa seu pai criticar abertamente o árbitro, ela se sente no mesmo direito. Onde nasce o vício que o árbitro será sempre o causador da sua derrota.

VISITE O SITE DA APAF - ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ÁRBITROS DE FUTEBOL

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FALTA DIRETA OU DOIS TOQUES

Valter Ferreira Mariano em 26 de Setembro de 2006 @ 11:58

Hoje vamos falar a respeito da regra 13, os tiros livres, que no vocabulário da língua futebolítica é chamado de falta direta ou dois toques.

Os tiros livres se dividem em duas categorias, os tiros livres diretos e os indiretos. Para executar qualquer um destes tiros a bola deverá estar imóvel e seu executor não poderá voltar à toca-la antes que outro jogador à toque.

Da cobrança de um tiro livre direto poderá ser obtido um gol se a bola entrar na meta adversária diretamente, sem que haja outro toque. Agora, se na cobrança de um tiro livre direto for executado contra a própria meta, não será concedido um gol e sim um escanteio (tiro de canto – regra 17) à equipe adversária.

No tiro livre indireto (dois toques) o árbitro (regra 05), indicará (sinal) levantando qualquer um dos braços ao alto, onde deverá mantê-lo nesta posição até que o tiro seja cobrado e abaixando quando outro jogador toque a bola ou que a mesma saia de jogo (regra 09 – bola em jogo ou fora de jogo).

Para ser válido um gol originário de um tiro livre indireto deverá obrigatoriamente haver um segundo toque, mesmo que este toque seja de um adversário, inclusive o goleiro adversário, antes de entrar na meta. Porém, se esta bola entrar diretamente na meta adversária o gol não será válido e um tiro de meta (regra 16) será concedido a equipe adversária. Ainda, se este tiro livre indireto entrar diretamente na meta do próprio executor, um tiro de canto (regra 17) será concedido á equipe adversária.

Para execultar um tiro livre, alguns procedimentos deverão ser observados e cumpridos.

Tiro livre dentro da área penal (grande área)
Tiro livre direto ou indireto a favor da equipe defensora

Na execução de um tiro livre, todos os jogadores adversários deverão permanecer fora área penal até que a bola esteja em jogo, ou seja, somente quando a bola tiver sido lançada diretamente para fora da área penal.

Um tiro livre concedido na área de meta (pequena área) poderá ser lançado de qualquer ponta da dita área.

Tiro livre indireto a favor da equipe atacante

Todos os adversários deverão encontra-se no mínimo a 9,15 m da bola até que esta esteja em jogo, salvo quando se encontram colocados sobre sua própria linha de meta entre os postes da meta. A bola entrará em jogo quando colocada em movimento.

Quando este tiro ocorrer dentro da área de meta (pequena área) será observada as condições especiais da regra 08, ou seja, será cobrado na parte da linha da área de meta, paralela à linha de fundo, no lugar mais próximo onde se cometeu à infração.

Tiro livre fora da área penal

Todos os jogadores adversários deverão encontrar-se no mínimo a 9,15 m da bola até que esta esteja em jogo. A bola entrar em jogo no momento em que é chutada e se põe em movimento. Este tiro será cobrado no local onde ocorreu a falta.

Se na execução de um tiro livre um adversário encontra-se mais próximo da bola do que a distância regulamentar, o tiro será repetido.

Se a equipe defensora executar um tiro livre desde sua própria área penal, sem que a bola entre em jogo diretamente, o tiro será repetido.

Tiro livre cobrado por qualquer jogador exceto o goleiro

Se a bola estiver em jogo e o executor do tiro toca pela segunda vez a bola (exceto com suas mãos), antes que esta tenha tocado em outro jogador, será concedido um tiro livre indireto à equipe adversária no lugar onde ocorreu a infração*

Se a bola estiver em jogo e o executor do tiro tocá-la intencionalmente com as mãos, antes que ela tenha tocado em outro jogador, será concedido um tiro livre direto à equipe adversária no lugar onde ocorreu a infração*, porém, se esta infração for cometida dentro da sua área penal um tiro penal (regra 14) será concedido a equipe adversária.

Tiro Livre executado pelo goleiro

Se a bola estiver em jogo e o goleiro tocá-la pela segunda vez (exceto com suas mãos) antes que qualquer outro jogador a toque, um tiro livre indireto será concedido a equipe adversária onde ocorreu a
infração*

Se a bola estiver em jogo e o goleiro tocá-la intencionalmente com as mãos, antes que ela tenha tocado em outro jogador, um tiro livre direto será concedido a equipe adversária se a infração ocorrer fora da área penal do goleiro. Agora, se esta infração ocorrer dentro de sua área penal, um tiro livre indireto será concedido a equipe adversária no local onde ocorreu a infração*

* Condições especiais da regra 08, ou seja, será cobrado na parte da linha da área de meta, paralela à linha de fundo, no lugar mais próximo onde se cometeu à infração.

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OS CAMINHOS DA ARBITRAGEM

Valter Ferreira Mariano em 19 de Setembro de 2006 @ 15:51

14/09/06 - O apito é soprado, inicia-se mais uma partida de futebol. No meio do solo sagrado, campo de futebol, se encontra João dos Santos, homem humilde de pouca posses, porém rico de virtudes e bondade no coração. Aprendeu com o pai a lição mais importante da vida, a lição de nunca beneficiar-se de algo ilícito. E foi esta lição que o levou a querer ser um árbitro de futebol.

Para chegar a ser um bom árbitro, João dos Santos sabe que os caminhos da arbitragem não serão caminhos cobertos de pétalas e sim cheios de espinhos, onde encontrará a arrogância e o egoísmo dos próprios companheiros, mais também sabe que tais obstáculos serão transpostos com uma postura independente, com iniciativa, originalidade e dedicação.

Na busca do seu ideal, João dos Santos sabe que deverá sempre manter uma postura de cooperação e de bom senso, estando aberto ao dialogo e ao entendimento. O otimismo que estampa suas atitudes seram contagiante e será o caminho da arbitragem que o levará ao sucesso.

A vida dentro da arbitragem sempre colocará em situações deverá empregar o senso prático e assumir tarefas que requeiram alguns sacrifícios. Estes sacrifícios desenvolveram sua flexibilidade; a ser um pessoa tolerante, principalmente consigo mesmo; ter fé na sua capacidade de viver de modo construtivo e organizado. E este será o caminho para ser um árbitro vencedor.

Prosseguindo com sua jornada, João dos Santos encontrará situações onde irá aprender com as experiências vividas por outros árbitros, as quais lhe permitiram a fazer mudanças quando necessárias. E este será o caminho que lida sabiamente com a liberdade, seguir o ritmo natural, desapegar-se de velhos hábitos e aceitar a correção na sua maneira de arbitrar.

Um outro caminho que João dos Santos passará dentro da arbitragem será o levará a exercitar a responsabilidade com relação aos outros, principalmente com sua família, a capacidade de compeensão e senso de justiça.

A capacidade de analisar e aprofundar nos conhecimentos do espírito das regras e transmiti-los aos leigos apaixoandos, será o caminho da divulgação da Carta Magna do futebol.

O desafio do último caminho será a cobrança perpétua do perfeccionismo que a sociedade futebolistica requer do árbitro. Porém João dos Santos deve encarar este caminho, como um ser humano, e não cobrar este perfeccionismo de si mesmo e nem dos outros. Não deve protelar decisões e nem alimentar situações anti-sociais, deve sempre execer a sua capacidade de conhecedor das 17 regras e execer este poder com responsabilidade e humildade, equilibrando sempre os aspectos textuais com o seu espírito.

Se chegar o fim desta jornada, João dos Santos deverá ter em mente que apenas um chegará ao topo e não será desmérito nenhum se não conseguir ser um árbitro FIFA, mas será congratulado pelos demais árbitros por ter tentado e se dedicado a este ideal.

VALTER.NAC - VALTER.NAC

Everaldo Jorge da Silva - Diego Geronymo - Valter Ferreira Mariano

foto: SITE JOGOS PERDIDOS

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O BODE EXPIATÓRIO

Valter Ferreira Mariano em 13 de Setembro de 2006 @ 14:27

MÍDIA ESPORTIVA
O bode expiatório

Valter Ferreira Mariano

Falar de futebol e não difamar a arbitragem é o mesmo que ir a Roma e não ver o papa. A arbitragem é o tópico mais apurado quando o assunto é futebol. Infelizmente, sempre visto como o causador da derrota deste ou daquele time.

Jogadores, dirigentes, torcedores e principalmente jornalistas esportivos não querem olhar o árbitro e seus assistentes como seres humanos que, durante uma partida de futebol, não conseguem ver tudo o que acontece no “solo sagrado” para sempre tomarem decisões corretas. Onde há um ser humano certamente haverá erro.

Quando um jogador erra um pênalti, é criticado imediatamente pelo torcedor. Este mesmo torcedor logo esquece que seu time desperdiçou grande oportunidade. Agora, quando a arbitragem deixa de marcar um pênalti que na opinião deste torcedor foi cometido, a arbitragem passa a ser a principal causa da derrota do time.

Como opinar?

Os cartolas (dirigentes, na linguagem futebolística) gastam até o que não podem para montar seus elencos e têm na arbitragem seu maior adversário. Sempre que derrotados logo comentam que o árbitro deixou de marcar uma penalidade máxima ou inventou uma, contra ou a favor de sua equipe. Consideram a arbitragem prejuízo financeiro (taxa de arbitragem) e de resultado (em caso de derrota). Esta opinião é exposta naturalmente nas entrevistas após jogo e no decorrer de toda semana que antecede a partida seguinte.

Treinadores e jogadores são outros que sempre se utilizam da arbitragem como bode expiatório para explicarem seus fracassos. Nunca a derrota veio por causa de uma escalação equivocada ou de um gol desperdiçado pelo atacante contratado a peso de ouro, um gol desperdiçado que vale a frase “até minha cozinheira faria este”!

Os jornalistas esportivos são indiretamente o combustível para a criação dos bodes expiatórios. São eles que através dos olhos frios das câmeras de televisão apontam os erros da arbitragem, erros humanos! Equivocadamente, a maioria dos jornalistas esportivos não tem qualquer curso de arbitragem. Pergunto: como alguém pode opinar sobre um assunto em que é leigo?

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