O HERÓI DA VÁRZEA
Herói ou louco, eis a questão?
Como podemos definir o árbitro que apita futebol não profissional, o chamado futebol de várzea. Que adjetivo é mais apropriado. Herói! ou simplesmente louco!
Eles geralmente deixam o aconchego de seus lares, nos domingos, antes dos primeiros raios de sol, mal tomam o café da manhã e já correm para não perder a primeira condução, e tudo isso para chegar sempre no horário, antes das equipes, nos campos de futebol espalhados por este Brasil à fora.
São pessoas simples, porém dedicadas. Depois de vestirem a surrada roupa de árbitro e calçarem o velho par de chuteiras, digo de passagem, muito bem engraxadas, lá vão eles pra enfrentarem as mais diversas situações que uma partida de futebol pode proporcionar.
Uma boa parte destes “homens de preto” se quer concluíram o ensino básico ou até mesmo nem possui um diploma de curso de arbitragem de futebol. Apitam de coração. Com a coragem. Com a educação recebida dos pais, educação esta que resume à honestidade e ao respeito ao próximo. Do princípio de nunca prejudicar ou cometer injustiça.
São eles, sempre presentes nos campos de grama ou sem, de terra batida ou esburacado, com ou sem alambrados, com pequenos balaústres ou uma simples corda para separar a torcida enlouquecida querendo sempre o seu “couro”.
Campos estes localizados nas periferias das grandes cidades, em lugares em que até mesmo a polícia pensaria duas ou mais vezes antes de visita-los.
São estes árbitros que farão nas mentes dos futebolistas de fins de semana a alegria ou a tristeza. Pois a vitória veio apesar deles. E a derrota veio por causa deles.
Pessoas humildes, seres humanos, porém são árbitros de futebol. Verdadeiros heróis dos campos de futebol da várzea.

A MARGINALIZAÇÃO DO ÁRBITRO
Nos tempos atuais, leitores, ouvintes e telespectadores da mídia esportiva ou melhor, mídia futebolística, devem se manter conciente ao que se refere a arbitragem de futebol.
Hoje se discute de forma leviana as atuações dos árbitros (regra 05) e dos árbitros assistentes (regra 06) os chamados bandeirinhas, colocando em evidência erros cometidos ou decisões interpretadas de forma diferente. Erros dectados pelos olhos frios das câmeras de televisão, nos inúmeros ângulos. Erros acusados pelo “super tira-tema”. Erro como do gol de empate do Lanus diante do Corinthians pela Copa Sulamericana, erro de 16 cm, imagine 16 cm com a bola e os jogadores em movimento. O assistente visto por esta parafernália eletrônica cometeu um erro capital, porém, se visto pelo olho humano, seria um erro?
Esta forma equivocada de ver uma partida de futebol, tendo a arbitragem como vilã, tirando toda a responsabilidade dos “cartolas”, dos jogadores e treinadores, que na primeira divisão são contratados a peso de ouro, com salários milionários, é algo injusto e desumano.
Este conceito de responsabilizar a arbitragem vem progressivamente ganhando na mídia uma permuta cada vez maior do espaço para expor este falso conceito. O resultado disso é a marginalização do árbitro e dos assistentes. Não duvidem que uma boa arbitragem é tratada como mero caso à parte.
Estes equívocos conceituais ocorrem dos erros ocorridos numa partida de futebol. Erros cometidos por um ser humano!
O SOLO SAGRADO
Infelizmente esta frase é verdadeira: “A maioria dos jogadores, treinadores e torcedores, dirigentes e imprensa, não conhecem o conteúdo das 17 regras do futebol”.
Observando esta péssima realidade, vamos a partir deste artigo levar aos leigos, o mundo maravilhoso das 17 regras do futebol, que no meu entendimento são perfeitas.
Vamos iniciar falando do Lei nº01 – simplesmente o campo de jogo.
O campo de jogo sempre terá um formato retangular, sendo o seu comprimento (linhas laterais) entre 90 a 120 metros e sua largura (linhas de fundos) entre 45 a 90 metros.
Em jogos internacionais estas medidas ficarão entre 100 a 110 metros e 64 e 75 metros.
A campo será plano e totalmente gramado. Hoje a FIFA aprova a utilização de grama artificial, sob o seu selo de aprovação.
È claro que na várzea, campo gramado é “artigo de luxo”, os campos são de todos os tipos, gramado ou pouca grama, terra batida e esburacado, não importa, as partidas realizadas nestes tipos de terrenos não ficam muito atrás das realizadas em gramados em perfeitas condições.
O campo será marcado com linhas. Estas pertencerão às zonas que demarcam.
Então podemos afirmar que a bola em cima da linha esta em jogo!
As duas linhas mais compridas são denominadas laterais, e as que ficam nas extremidades do campo, de linhas de fundos.
O campo será dividido ao meio por uma linha central, sendo esta dividida também ao meio por um ponto central, e ao seu redor será traçado um círculo com 9,15 metros de raio.
Nos extremos do campo serão demarcadas as chamadas pequenas áreas ou áreas de metas, serão traçadas duas linhas perpendiculares à linha de fundo a 5,5 metros, desde a parte interior de cada trave (poste de meta). Essas linhas adentrarão 5,5 metros no campo de jogo e serão unidas com uma linha paralela a linha de fundo.
Também nos extremos do campo serão demarcadas as duas grandes áreas penais, as chamadas grandes áreas. Serão formadas por duas linhas perpendiculares à linha de fundo a 16,5 metros, desde a parte interna de cada poste de meta. Essa linhas adentrarão 16,5 metros no campo de jogo e serão unidas com uma linha paralela à linha de fundo.
Em cada uma destas áreas será marcado um ponto penal, a 11 metros de distância do ponto médio da linha entre os postes e eqüidistantes dos mesmos. No exterior de cada área penal será traçado um sem-círculo com raio de 9,15 metro desde cada ponto penal. A finalidade deste semi-círculo e colocar, exceto o cobrador do penal, todos os jogadores à 9,15 metros.
Em cada canto do campo será colocado um mastro com uma bandeirinha, este terá uma altura mínima de 1,5 metros e também será traçado desde este mastro um quarto de círculo com uma raio de 1 metro.
As traves ou metas serão colocadas no centro de cada linha de fundo. Consistirão em dois postes verticais, eqüidistantes das bandeirinhas de canto e unidas na parte superior por uma barra horizontal (travessão). A distância entre os postes será de 7,32 metros e a distância da borda inferior do travessão ao solo será de 2,44 metros.
Os postes e travessão terão a mesma espessura e juntamente com todas as linhas terão uma mesma largura não superior a 12 cm, sendo obrigatoriamente de cor branca bem como os mastros de canto.
E para finalizar, as redes não são obrigatórias, porém é aconselhável sempre que possível, e além disso, serão obrigatórias, se assim estipula o regulamento da competição. Este é o campo de jogo. O solo sagrado onde se pratica o mais popular dos esportes. O futebol.

COMPORTAMENTO FRENTE AO ÁRBITRO
Na sociedade futebolística é comum os jogadores amadores e os chamados de profissionais não respeitar a autoridade do árbitro e dos seus assistentes. Esta falta de respeito é claramente observada em gestos “explícitos” e algumas frases que podem ser lidas através da leitura labial, de modo tão ofensivas, que não precisa ser perito para fazer esta leitura
O principal fator para esta conduta antidespotiva é a falta do conhecimento das Regras do Futebol.
O jogador denominado como capitão é a maior prova desta conduta nada esportiva em relação a arbitragem. Ele por ter este “título” pensa que pode goza do direito de questionar as decisões do árbitro e dos seus assistentes. Porém a regra determina que sua participação se limita ao sorteio da escolha do campo que sua equipe irá defender e ser o responsável pela conduta da sua equipe.
Os jogadores não sabem ou se esquecem que as decisões do árbitro sobre fatos em relação ao jogo, são definitivas (regra 05). Uma decisão do árbitro somente poderá ser modificada se ele deu conta de um equivoco ou informado do mesmo por um dos seus assistentes ou pelo quarto árbitro. Esta decisão só poderá ser modificada se a partida não tenha sido reiniciada.
Todos os jogadores, inclusive o capitão, que tomarem qualquer tipo ato, quer com gestos ou palavras, desaprovando uma decisão da equipe de arbitragem, será culpado de conduta antidesportiva e punido com cartão amarelo (regra 12).
Agora se qualquer jogador relacionado para partida agredir o árbitro (equipe de arbitragem) ou que seja culpado de empregar linguagem ou gestos ofensivos, grosseiros e obscenos será expulso (cartão vermelho), (regra12).
Infelizmente para o universo da arbitragem o comportamento dos jogadores de futebol, envolve essencialmente instintos e hábitos aprendidos ao longo de sua carreira futebolistica; alguns sendo genéticos e outros de natureza social e cultural.
CIÚME, A ERVA DANINHA NA ARBITRAGEM
O ciúme é um sentimento letal. Aos poucos ele se apodera e torna escravo aquele que a insegurança permitiu crescer.
Infelizmente o ciúme é um sentimento vivo dentro do universo da arbitragem. O árbitro vê o árbitro como adversário. Demonstra sua insegurança ao tomar conhecimento da escala, querendo pra si o jogo do companheiro ao invês de desejar boa sorte.
O ciúme está intimamente relacionado à inveja. A diferença é que a inveja não envolve o sentimento de perda. O ciúme é um desconforto e raiva e atormenta aquele que cobiça algo que outra pessoa tem. O ciúme esmaga a auto-estima e se torna em uma verdadeira erva daninha.
O árbitro deve evitar ser contaminado por esta “erva daninha”. O treinamento físico, o estudo e o espírito das regras, bem como o companheirismo, amizade e lealdade, forjados no seio familiar, formarão a vacina da imunidade contra esta praga.
O árbitro imune tem o respeito e admiração da classe. O árbitro imune ocupa seu tempo livre em pról da arbitragem. Este tempo livre é aquele da viagem longa, onde a equipe de arbitragem segue junta no mesmo carro, ônibus ou avião, tempo para o intercâmbio de informação. Tempo para o plano de trabalho a ser utilizado na partida. Tempo para se conhecerem melhor. Tempo da arbitragem de futebol.
O ciúme é venenoso. Ele atinge os arbitros inseguros. Os árbitros que abrem os ouvidos aos fofoqueiros, a famosa “rádio peão” , as intrigas, aos invejosos e principalmente aos derrotados, pois estes são os árbitros que se vestem de cordeiros e na verdade são lobos famintos, que se utilizam das oportunidades para se darem bem.
Somente a vacina não garante total imunidade. Que será obtida atravês da maturidade e o amor. Assim esta erva daninha será banida do universo da arbitragem.
A CRIANÇA E O ÁRBITRO DE FUTEBOL
O futebol é o principal esporte praticado em todo mundo. A criança quando nasce, sendo menino, certamente receberá uma bola de presente. Esta o acompanhará para sempre, em casa, na escola, no campinho de terra batida, no clube, em qualquer outro lugar onde possa chutá-la.
A criança praticará o futebol sem nenhuma obrigatoriedade, este nível vai aproximadamente até, no que diz respeito à prática das regras. Neste primeiro estágio ela não dá qualquer atenção ou valor à necessidade das regras, o que importa é chutar a bola.
Um segundo estágio se inicia quando a criança começa a praticar o futebol no sentido de equipe. Observando que não está mais só dentro de um espaço e que algo novo deve ser respeitado, as regras. Este ponto é claramente visto quando a criança demonstra sua competência para criar sua própria regra, se adaptando ao momento que obriga esta mudança, por exemplo: um menor número de jogadores (regra 03) ou até mesmo colocando como traves ou metas (regra 01) duas latinhas de refrigerante.
Logo podemos visualizar a chegada do terceiro estágio na vida futebolistica da criança, onde sua consciência do caráter arbitrário passa para a necessidade de uma cooperação mútua entre os competidores, resultando na obrigatoriedade de respeitar as regras do jogo.
Como jogador, a criança passa ver um novo personagem, o árbitro de futebol. Para ela este homem de preto representa a lei, sem ele não há jogo, nele será depositado toda a confiança e respeito. O árbitro será visto como indispensável, infalível e incorruptível. Neste estágio a função do árbitro será de um educador, transmitindo as crianças todo seu conhecimento e desenvolvimento da noção das regras do jogo de futebol.
Também neste estágio o árbitro terá sua melhor escola de aprendizagem para ser um árbitro respeitado. Ele passará por um verdadeiro vestibular ou seja, passará pelo crivo dos pais. Emoção e o coração estarão sempre a frente de qualquer crítica feita por um pai a um árbitro.
O árbitro ainda terá como principal função passar a criança o respeito ao fair play (jogo limpo). Impedir a violência . Exigir que nenhum adversário seja humilhado ou abusado por razões raciais, étnicas ou religiosas. E que o futebol faz amigos.
As crianças mais velhas, em seu último estágio, admitem que o árbitro pode equivocar-se e que suas decisões podem ser discutidas. Passando não ser o senhor único da verdade. Porém sabem que sua decisão no momento da partida deve ser amplamente respeitada e aceita.
Infelizmente para o futebol, a criança vê no pais a principal figura relacionada com a verdade, e sendo assim, quando ela observa seu pai criticar abertamente o árbitro, ela se sente no mesmo direito. Onde nasce o vício que o árbitro será sempre o causador da sua derrota.
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FALTA DIRETA OU DOIS TOQUES
Hoje vamos falar a respeito da regra 13, os tiros livres, que no vocabulário da língua futebolítica é chamado de falta direta ou dois toques.
Os tiros livres se dividem em duas categorias, os tiros livres diretos e os indiretos. Para executar qualquer um destes tiros a bola deverá estar imóvel e seu executor não poderá voltar à toca-la antes que outro jogador à toque.
Da cobrança de um tiro livre direto poderá ser obtido um gol se a bola entrar na meta adversária diretamente, sem que haja outro toque. Agora, se na cobrança de um tiro livre direto for executado contra a própria meta, não será concedido um gol e sim um escanteio (tiro de canto – regra 17) à equipe adversária.
No tiro livre indireto (dois toques) o árbitro (regra 05), indicará (sinal) levantando qualquer um dos braços ao alto, onde deverá mantê-lo nesta posição até que o tiro seja cobrado e abaixando quando outro jogador toque a bola ou que a mesma saia de jogo (regra 09 – bola em jogo ou fora de jogo).
Para ser válido um gol originário de um tiro livre indireto deverá obrigatoriamente haver um segundo toque, mesmo que este toque seja de um adversário, inclusive o goleiro adversário, antes de entrar na meta. Porém, se esta bola entrar diretamente na meta adversária o gol não será válido e um tiro de meta (regra 16) será concedido a equipe adversária. Ainda, se este tiro livre indireto entrar diretamente na meta do próprio executor, um tiro de canto (regra 17) será concedido á equipe adversária.
Para execultar um tiro livre, alguns procedimentos deverão ser observados e cumpridos.
Tiro livre dentro da área penal (grande área)
Tiro livre direto ou indireto a favor da equipe defensora
Na execução de um tiro livre, todos os jogadores adversários deverão permanecer fora área penal até que a bola esteja em jogo, ou seja, somente quando a bola tiver sido lançada diretamente para fora da área penal.
Um tiro livre concedido na área de meta (pequena área) poderá ser lançado de qualquer ponta da dita área.
Tiro livre indireto a favor da equipe atacante
Todos os adversários deverão encontra-se no mínimo a 9,15 m da bola até que esta esteja em jogo, salvo quando se encontram colocados sobre sua própria linha de meta entre os postes da meta. A bola entrará em jogo quando colocada em movimento.
Quando este tiro ocorrer dentro da área de meta (pequena área) será observada as condições especiais da regra 08, ou seja, será cobrado na parte da linha da área de meta, paralela à linha de fundo, no lugar mais próximo onde se cometeu à infração.
Tiro livre fora da área penal
Todos os jogadores adversários deverão encontrar-se no mínimo a 9,15 m da bola até que esta esteja em jogo. A bola entrar em jogo no momento em que é chutada e se põe em movimento. Este tiro será cobrado no local onde ocorreu a falta.
Se na execução de um tiro livre um adversário encontra-se mais próximo da bola do que a distância regulamentar, o tiro será repetido.
Se a equipe defensora executar um tiro livre desde sua própria área penal, sem que a bola entre em jogo diretamente, o tiro será repetido.
Tiro livre cobrado por qualquer jogador exceto o goleiro
Se a bola estiver em jogo e o executor do tiro toca pela segunda vez a bola (exceto com suas mãos), antes que esta tenha tocado em outro jogador, será concedido um tiro livre indireto à equipe adversária no lugar onde ocorreu a infração*
Se a bola estiver em jogo e o executor do tiro tocá-la intencionalmente com as mãos, antes que ela tenha tocado em outro jogador, será concedido um tiro livre direto à equipe adversária no lugar onde ocorreu a infração*, porém, se esta infração for cometida dentro da sua área penal um tiro penal (regra 14) será concedido a equipe adversária.
Tiro Livre executado pelo goleiro
Se a bola estiver em jogo e o goleiro tocá-la pela segunda vez (exceto com suas mãos) antes que qualquer outro jogador a toque, um tiro livre indireto será concedido a equipe adversária onde ocorreu a
infração*
Se a bola estiver em jogo e o goleiro tocá-la intencionalmente com as mãos, antes que ela tenha tocado em outro jogador, um tiro livre direto será concedido a equipe adversária se a infração ocorrer fora da área penal do goleiro. Agora, se esta infração ocorrer dentro de sua área penal, um tiro livre indireto será concedido a equipe adversária no local onde ocorreu a infração*
* Condições especiais da regra 08, ou seja, será cobrado na parte da linha da área de meta, paralela à linha de fundo, no lugar mais próximo onde se cometeu à infração.
OS FATORES QUE OS COMENTARISTAS NÃO COMENTAM.
04/07/06 – Em tempos de Copa do Mundo é impossível não ouvir ou assistir uma partida de futebol. Seja no velho e bom radinho de pilha ou na moderna televisão de plasma, e dessa maneira é impossível não observar as críticas sobre o desempenho dos árbitros e seus assistentes.
Estas críticas sempre são emitidas de forma negativa e fere a imagem do árbitro, o transformando no principal vilão pela derrota, quer deste ou daquele time. Elas são combustível na formação da opinião entre os torcedores, opinião que o árbitro roubou sua paixão, roubou o seu time de coração.
Simples e cômodo ver a arbitragem superficialmente. Detectar erros através das câmeras de televisão em seus mais variados ângulos de posicionamento, em slow motion, no tira-tema, agora no super tira-tema. O difícil é observar os fatores que compõe a dinâmica de arbitrar uma partida de futebol, estes sim deveriam ser avaliados e comentados, passando a verdadeira imagem do árbitro para o torcedor.
Fatores como a colocação e o deslocamento do árbitro durante a partida, pois uma péssima colocação e um deslocamento lento pode fazer a diferença num lance decisivo. Um assistente bem colocado nunca perde um impedimento. Um árbitro que tem ótimo deslocamento, sempre estará próximo da jogada. Assim ambos terão sempre um excelente posição para determinar se houve ou não irregularidade.
Outro fator que deveria ser avaliado é posicionamento nas bolas paradas, por exemplo: num escanteio (tiro de canto – regra nº 17), onde o árbitro deverá estar no lado oposto e afastado do bolo de jogadores e sempre com os olhos voltados para a posição do goleiro.
O preparo físico será colocado em prova sempre que o árbitro necessitar de um deslocamento rápido, isso também se aplica nos assistentes, pricipalmente num contra ataque veloz onde sua corrida será sempre com os olhos atentos para a posição da bola e do penúltimo defensor.
Um boa sinalização não deixa duvida de quem é a posse da bola. Inibe os empurrões e bate boca entre os jogadores que querem a mesma coisa, ou seja: a bola.
São fatores que os “peritos em arbitragem” deixam de comentar durante as partidas, pois o foco principal é dizer que o árbitro errou ao deixar de marcar um penalti, afirmação esta feita depois de visualizar a jogada através de vários ângulos, e são estes ângulos que o humano chamado de árbitro não possui para determinação ou não da irregularidade.
Por Valter Ferreira Mariano
SEM DISCIPLINA, SEM ÁRBITRO DE FUTEBOL!
19/06/06 – Traçar planos e organizar a rotina ajudam a atingir os objetivos.
Ser um árbitro exemplar, esforçar-se para ter uma boa forma física, manter-se atualizado em relação as regras e os acontecimentos que envolve o futebol, viver uma vida saudável, participar ativamente da família, cumprir compromissos sociais e financeiros, viver um grande amor… Ufa! Qual a fórmula para conseguir realizar esse mix de atividades e ficar satisfeito? Podemos responder com uma simples palavra: disciplina.
A disciplina é um fator relacionada à reponsabilidade e à organização.
Considerada determinante para uma vida de sucesso e recheada de vitórias, tanto dentro da arbitragem como na vida pessoal. O árbitro aprende desde dos tempos de criança que para conseguir realizar um objetivo com sucesso é preciso respeitar procedimentos. Seja no trabalho, dentro de casa e dentro do campo de futebol.
Porém o árbitro deve lembrar que para ser uma pessoa disciplinada não é necessário ser um dependente de regras, da rigidez ou da prisão psíquica. Deve-se ter bom senso, saber qual é a dose certa para se organizar, sem se aprisionar a um sistema metódico exagerado e cansativo. Aqueles que não encontram um equilíbrio transformam-se em aficionados por bens materiais e conquistas, mas sem a referência do que é ser feliz.
Uma mente disciplinada é uma mente capaz de aprender, que é oposto de uma mente capaz de amoldar-se.
Para o médico e conferencista Roberto Shinyashiki o individuo que é muito metódico e determinado a alcançar o que deseja, deixa de lado as pessoas queridas, principalmente a família. Pois só pensa em obter a qualquer custo o sucesso.
A disciplina é integrar a três fatores: coragem, persistência e relevância. Um bom exemplo é quando uma pessoa deseja emagrecer, inicia uma dieta e não desiste até atingir o seu ideal. Portanto é preciso ter um objetivo e colocar toda a sua energia, isso é disciplina!
A disciplina deve estar em todos os lugares e em todas as áreas, principalmente na vida do árbitro, pois sem disciplina sua carreira será curta, um desperdício de tempo, nunca será lembrado que um dia foi árbitro de futebol.
O ÁRBITRO E O GUARDA DE TRÂNSITO
07/06/06 – Se você esta lendo este artigo, presumo que já viu uma partida de futebol. Portanto já viu os vários sinais do “homem de preto, hoje colorido”, também conhecido por “ladrão” pela injusta sociedade futebolistica. Sinais feitos com os braços, as mãos, com o som de um apito e um par de cartões (amarelo e vermelho).
Lendo a parágrafo acima podemos fazer uma pequena comparação entre o árbitro de futebol e guarda ou fiscal de trânsito (em Campinas este fiscal é conhecido como “amarelinho” e em São Paulo como “marronzinho”). Ambos utilizam de sinais, apito e blocos de anotações.
O árbitro usa um uniforme diferente dos jogadores. O guarda usa uma farda impecável. Ambos os casos é para mostrar suas autoridades.
O árbitro usa o sinal com os braços para mandar seguir uma jogada onde foi observada uma vantagem. O guarda usa o mesmo sinal para que o trânsito siga em frente. O árbitro levanta o braço sinalizando uma cobrança de falta em dois toques (tiro livre indireto). O guarda levanta o braço sinalizando que o veículo deve parar, não pode seguir em frente.
O árbitro usa seu apito para interromper uma jogada irregular. Já o guarda usa o seu apito para chamar atenção dos motoristas.
Os cartões são os blocos de anotação das ocorrências dentro de uma partida de futebol, ali os números das camisas dos jogadores podem ser comparados com as placas dos veículos, pois o guarda usa seu bloco para anotar as infrações (multas) cometidas no trânsito.
Os árbitros são ultimamente chamados de “máfia do apito”, já os guardas e fiscais de trânsito de “máfia da indústria da multa”.
Fim das comparações. O árbitro de futebol por mais que tenha autoridade, sempre será contestado, não respeitado e muito menos temido pela sociedade futebolística. Já autoridade do guarda e do fiscal, esta sim, será contestada, porém amplamente respeitada e temida pelos motoristas.
Por Valter Ferreira Mariano
